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domingo, 12 de janeiro de 2014

Parabéns Sua Majestade

O aspeto mais doce do aniversário
A 17 de novembro Sua Majestade o Sultão Qaboos bin Said Al Said bin Taimur faz anos. Sendo o Sultão e sendo Omã um sultanado adivinha-se festa majestática. De facto desde há um mês que praticamente todas as ruas, autoestradas e tudo quanto é empresa, repartição, loja ou similar está enfeitada com as cores de Omã, a bandeira e ainda mais imagens do monarca. Claro que isso significou um feriado de 2 dias, o que foi considerado pouco pelos locais, já houve anos em que foi um semana inteira. Nas últimas semanas começou a ver-se também carros pintados com as cores do sultanado e imagens do Sultão. Esses e muitos outros juntam-se em algumas zonas de Mascate, especialmente junto a praias para comemorar, todas as noites.
O centro comercial cá do sítio com uma celebração discreta
De início eram apenas as cores do país e buzinadelas, mas recentemente passaram a ser também corridas de automóvel em via pública, disparar armas semi-automáticas para o ar, pôr 15 amigos dentro do carro incluindo alguns a sair pelas janelas e conduzir à maluca, seguido de piões e outras proezas com a consequência de ferir mortalmente alguns desses amigos. Todos os anos morre gente mas a festa continua. E não há álcool. Conhecendo o tipo de celebrações se calhar é mesmo melhor continuar a não haver.

segunda-feira, 4 de março de 2013

A mesquita do boss



É impossível passar despercebida. É grande, em área e altura e está mesmo ao lado da maior autoestrada do País. Um local disse-me que era a maior do mundo, mas depois de a googlar deu para ver que o mais próximo disso é ser a segunda maior em termos de área. A Grande Mesquita Sultão Qaboos tem capacidade para 20000 pessoas e há outras que têm capacidade para muito mais. Parece que o interior tem o segundo maior tapete do mundo, a cobrir toda a sala principal de oração (a dos homens claro). O candeeiro parece que é também o segundo maior. Os rankings são só isso mesmo.
Todo o espaço é muito agradável, muitíssimo bem cuidado, com um grande jardim à volta. A arquitetura foi muito bem conseguida, é grande sem ser opulenta e do pouco que percebo, respeitando o estilo local. É a grande mesquita do país, algo equivalente às Sés em Portugal.
Para além de atrair crentes, atrai os adolescentes locais com aro bikes, skates e afins mas que se mantêm a uma distância respeitosa da zona central. Para os não-muçulmanos a entrada é proíbida, mesmo nos pátios interiores. Algo que só me apercebi depois de lá ter estado e fotografado. Se não houver guarda e/ou o aspecto não for demasiado de turista, não deve haver problema. As salas de oração é que estão mesmo restritas a quem é muçulmano e dentro destes penso que só os Ibadis (a fação cá do sítio).

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O boss


Entrada para o Palácio do Sultão em Mascate velha
 O nome completo de Omã é Sultanado de Omã. E no passado recente foi Sultanado de Mascate e Omã. Até aos anos 50, o Sultão, pai do actual, intitulava-se Sultão de Mascate e Oman. A longa designação devia-se a facto de o controlo da zona costeira de Mascate e para Sul na zona de Dhofar estar sobre o controlo do Sultão, mas o interior montanhoso e desertico – designado por Omã – era na verdade controlado por um Imã através de uma rede de chefes tribais beduinos. Nesses tempos o Imã representava uma autoridade religiosa, mas também política e foram várias as tentativas de autodeterminação. A situação era confusa visto que nem as fronteiras no chamado empty quarter (zona desertica entre os EAU, Arábia Saudita e Oman) estavam definidas. Ainda hoje não estão entre os EAU e Arábia Saudita. Este último tinha pretensões sobre esse território, mesmo antes das descobertas de hidrocarbonetos, quer por controlo directo, quer através da influência do Imã. Numa marcha épica através do interior de Omã, de Salalah até Mascate, com ajuda militar britanica, o Sultão conquistou, ou, na maioria dos casos, negociou a subjugação das várias regiões e chefes tribais. Terminou assim a divisão de poderes e o Sultão passou a reinar a partir de Mascate todo o território Omanita, aumentando ainda mais as suas pocessões no empty quarter e na zona de Ormuz. Poucos anos mais tarde, em partes desse território agora Omanita foram feitas grandes descobertas de hidrocarbonetos.

Apesar da crescente riqueza resultante destas descobertas o País continuava a ser um pedaço de idade média numa região que vivia um boom económico e em grande medida também civilizacional. Foi só com o actual Sultão, apartir dos anos 70, que as receitas do petróleo e gás começaram a ser efectivamente usadas na modernização do País. Foram não só construidas infra-estruturas mas também erradicadas várias doenças endémicas, a população foi alfabetizada – o que incluiu desde cedo o inglês – em todas as regiões do País, mesmo as mais remotas. Este desenvolvimento tardio permitiu também que alguns erros cometidos em países vizinhos não fossem repetidos. O resultado é hoje um País funcional, com boas infrastuturas coerentemente dimensionadas, que não abandonou as suas tradições nem entrou em devaneios opulentos.
O iate do Sultão no porto de Mutrah
Ainda assim tem um Sultão e como tal há palácios e alguns luxos reservados a soberanos desse calibre, como seja o mega-iate bem no meio do porto de Mutrah e o palácio do Sultão na velha Mascate (para além de muitos outros espaços reservados ao Sultão e família). Outros há que põem estátuas ou imagens de si mesmos para os subordinados verem, um mega-iate até não é mau de todo.
Para saberem mais sobre o Sultão e seu País vejam a Wikipedia e leiam “Sultan in Oman” de Jan Morris (foi daí que veio a informação para este texto).