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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A montanha e a floresta. E o fresco.

Nem vivalma nem plantinha. Shams no seu esplendor
Com a chegada de Maio chega o Inferno. Não o Verão, esse veio em Abril e já foi quente o suficiente, um Agosto em Portugal. Muito quente, muito húmido, assim é até ao final de Setembro, a começar a amainar a partir de Outubro. Com o calor, ou se fica em casa com o ar condicionado sempre a bombar, piscina ou praia ao fim do dia entre o por do sol e o subir da humidade (sim as noites por vezes parecem mais quentes!). A outra hipótese é fugir para as montanhas. A altitude retira pelo menos 10ºC e a humidade quase toda. Com umas 3 horas de viagem de Mascate já se alcança uma altitude jeitosa onde abrir a janela do carro não é o mesmo que abrir a porta do fogão.
Assim, aproveitando o convite do clube local de astronomia que, para mostrar as estrelas como se quer, leva o pessoal para sítios remotos, sem poluição luminosa. Remoto em Omã significa meio das montanhas ou do deserto e claro, lindíssimo.
A floresta. Sim esses arbustos.
O convite dizia juniper forest, floresta de zimbro em Jebel Shams. Já tinha ouvido falar desta floresta de montanha, onde aparentemente ainda vivem leopardos de montanha e outras raridades da arábia. Como chove muito mais nas montanhas e por vezes até neva no Inverno imaginei uma floresta a sério, densa e de copas altas. Hoje em dia há estrada de alcatrão para quase todo o lado e quando acaba há de terra batida em boas condições. O 4x4 acaba por fazer mais falta por causa da inclinação. Paisagens fabulosas de montanha. Agreste com focos de verde sempre que a água é suficiente para as tamareiras e mais alto para alperces. Quando começámos a procurar um sítio para acampar é que me apercebi que tinha entendido mal o conceito de floresta em Omã... De facto havia zimbros, acompanhados por oliveiras selvagens (zambujeiros) com uns 3m de altura máxima e que distavam uns 20m entre si. Não tinha visto árvores a crescer espontaneamente com tão grande densidade em Omã, mas ainda assim queria um pinhal ou coisa que valha!
De qualquer modo o fresco era o melhor de tudo, uma família feliz por sair de Mascate e do calor. Uma sessão astronómica muito boa, para miúdos e graúdos, uma via láctea como não via desde miúdo no Alentejo e bom convívio.
Aos 2000m começam as plantas.
Foi um primeiro dia fantástico, dos melhores de Omã. O segundo dia não foi, mas isso será o tema do próximo post.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Por entre um Mundo antigo. E alto

Vista do vale perto de Hajir
Escrevo com um lapso temporal de vários meses. As temperaturas neste momento, apesar de estar a ser um Agosto ameno, não permitiriam estas andanças. Em mais uma saída geológica em trabalho (sim, Omã de facto é o paraíso dos geólogos) partimos para as montanhas.
As montanhas de Omã, para Oeste de Mascate formaram-se, de uma forma simplificada, pelo choque de crosta oceânica com a placa da Arábia. Geralmente a placa oceânica mergulha sob a continental num processo chamado de subducção, mas não raramente parte dessa crosta oceânica é também obductada, ou seja transportada para cima da crosta continental. Essa porção de "oceano em terra" chama-se ofiólito e o de Omã é dos mais conhecidos e mais bem estudados do Mundo. A acompanhar essa crosta oceânica, para além de outros processos mais complexos, há rochas sedimentares bem mais interessantes que o ofiólito (desculpem colegas petrólogos, é verdade). Para as empresas de petróleos isso é um mimo visto que podem ver à superfície - e em Omã muitas vezes significa 100% de afloramento - rochas equivalentes às que observam, de forma muito mais limitada, na subsuperfície.
Os terraços de cultivo na aldeia de Wazma em Sahtan.
Nesta saída fomos analisar rochas bem antigas, contemporâneas do aparecimento da vida multicelular, numa "janela geológica". Todas as rochas mais recentes que estavam em cima foram erodidas, deixando exposto o núcleo de uma dobra anticlinal gigantesca. Escusado será dizer que o anfiteatro quilométrico criado por esta estrutura é brutal. No seu centro corre o wadi Sahtan e a zona é chamada de Sahtan bowl, a taça de Sahtan. A bordejar este anfiteatro erguem-se escarpas verticais de centenas de metros. No topo alguns dos picos mais altos de Omã, como a Jebel Shams.
A encontrar bons afloramentos e a analisar de pertos outros já conhecidos calcorreamos muitos dos caminhos de terra batida nesta zona e, chegando a zona mais inclinadas, percorrendo a pé, num misto de caminhada, escala e trabalho geológico. Quanto mais subíamos mais tentava não me lembrar que a descer custa sempre mais. Mas a geologia e a paisagem valiam a pena. E o fresco começa a sentir-se lá em cima. A acompanhar a nossa escalada, para além das aves, as omnipresentes cabras, osgas e burros selvagens que parecem ter as mesmas habilidades que as cabras.
Vários dias pesados no físico mas revigorantes no espírito.
A vista em altitude do lado Sul do magnifico anfiteatro de Sahtan
 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O clima de Omã

Faz hoje um ano que cheguei a Omã. Tempo de balanço e alguma introspeção. E tempo também para perceber como é o tempo, e a mais larga escala o clima de Omã.
Lembro-me quando cheguei que estava bem mais quente do que em Portugal, uns 20 e poucos graus durante o dia, mas ao fim da tarde e noite era bom usar algo mais do que uma t-shirt. O vento ajuda à sensação de frio ao qual se junta a ocasional chuva. Este ano não é diferente e de facto nas últimas semanas fica fresco à noite, é preciso usar uma camisola e/ou casaco. Na cama um cobertor sabe bem. Assim deve ficar até ao fim do mês de Janeiro. O Inverno Omanita é assim o equivalente à nossa Primavera, com dias a roçar um Outono seco.
A partir de Fevereiro as temperaturas começam a subir, desaparece o fresco da noite e no pico do calor já passa dos 30ºC. Ainda assim agradável. Março começa a ter dias de maior calor, as noites já são tépidas. Chegando a Abril, embora também haja algumas tempestades a fazer o ditado português valer em Omã, começa o calor a sério, com temperaturas acima dos 40ºC. Mas ainda é seco, refrescando um bocado à noite. A Primavera Omanita é um Verão que começa relativamente fresco mas que acaba em tórridos dias de Agosto.
Em Maio começa o martírio. As temperaturas até podem baixar dos 40ºC mas chega a humidade, implacável, omnipresente e que perdura meses a fio. Em poucas semanas e com poucos recuos a humidade chega aos 80% ou mais, dia e noite. Até Agosto há poucas mudanças, exceptuando as muito raras frentes frias que fazem baixar as temperaturas e humidade. É chato, não se pode fazer nada na rua, nem à noite. A praia é por vezes um escape, mas frequentemente as correntes quentes do Índico fazem com que a sudação continue dentro de água. Como uma sopa. Em Setembro começa a haver uns dias ligeiramente mais frescos e menos húmidos que permitem que se esteja relativamente confortável à sombra. E com serões já suportáveis. Alguns "braços" da monção que afecta o Sul do país por vezes chegam a Mascate e são uma bênção. Ainda assim demasiado quente. O Verão de Omã é assim uma estação incomparável, um inferno tórrido imutável.
A partir de Outubro começam finalmente a descer as temperaturas, embora de forma irregular, assim como a humidade. No entanto é só em Novembro que começam a vir dias consistentemente abaixo dos 30ºC e secos. Aí sim uma Primavera quente bem agradável que se estende até Dezembro.
 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O deserto

A rara nuvem e algumas ervas ao longe
A imaginação colectiva vê os desertos como sítios com areia, dunas gigantes e uns quantos esqueletos de animais desafortunados. Esses sítios existem, mas são apenas 1/5 das áreas desérticas do Mundo. Na verdade estou a viver no deserto há um ano, visto que Omã, exceptuando as montanhas e a região de Dhofar, mais a Sul, é tecnicamente um deserto.
Estive uma semana a fazer trabalho de campo (uma das várias vantagens da empresa) na zona de Huqf-Haushi, na parte Leste do País. É desolada, com pouca vegetação, remota e silenciosa. Algumas zonas mais baixas - o que é difícil de perceber visto que toda a zona é muito plana - recebem água quando as chuvas nas montanhas a mais de 300km de distância são fortes e extravasam os leitos dos wadis. Formam-se lagos que podem durar semanas ou até meses até evaporar e escoar toda a água. Esses baixios têm alguma vegetação, mas sempre escassa e igualmente efémera. O restante desta área é rocha exposta, sem solo. Para geólogos seria ideal se não fosse a areia que cobre muitas zonas, embora sem formar dunas consolidadas. Embora austera nesta zona vivem camelos, lebres e corvos (que consegui ver) para além de gazelas, oryxes, raposas e muita passarada.
Aquele ali pestanudo é o meu!
Os primeiros, apesar de parecerem selvagens têm donos. São de tribos beduínas, agora em grande parte sedentarizadas, embora alguns vivam ainda no deserto sem morada certa acompanhando as manadas. Não vi camelos marcados, pelos vistos são reconhecidos pelos donos pela cor do pelo, olhos e outros pormenores que passam desapercebidos pelos demais.
Nesta altura do ano as temperaturas são amenas, mesmo quando passam dos 30ºC há um vento constante e cortante (infelizmente acompanhado de muita areia) que refresca. À noite fica frio, muito, abaixo dos 10ºC e igualmente ventoso. Se não fosse a luz dos campos petrolíferos o céu nocturno seria perfeito. Ainda assim sente-se a paz e a calma que moldou este povo.
A planura austera e o objectivo da saída ao fundo.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Frio, essa rara sensação

Sim, posso dizer finalmente que, desde Janeiro passado, senti frio. Exceptuando as salas em que o ar condicionado está bom para recordar o Norte da Europa no Outono, a manga curta foi constante e sempre que possível a chinela no pé.
Ao chegar ao trabalho, no final de Novembro.
Vale no entanto a pena dizer que foi ao fim da tarde, já a anoitecer - isso por cá é às 18h - na praia, depois de sair do banho. De resto durante o dia estão uns amenos vinte e poucos graus, chegando aos 30ºC no pico do sol. Ainda assim sempre com uma brisa. Bem agradável.
Ainda estou a recuperar do hábito, do qual só me apercebi quando começou a ficar fresco, de me retrair sempre que abro uma porta para o exterior. Todos os edifícios são climatizados e metade do ano está um calor infernal, de modo que o bafo quente e húmido que nos acolhe sempre que se abre uma porta molda o comportamento. Lentamente vou substituindo a retração por um sorriso de alivio e prazer sempre que a porta se abre. Parece psicótico, mas sente-se mesmo como um peso que saiu de cima.
Olhó cobertor barato pó frio! É lindo e barato! Vá lá vere!
Naturalmente agora que as temperaturas descem à noite para uns glaciares 16°C os locais acham que está um frio horrível, passam mal à noite porque não se conseguem agasalhar o suficiente. Se calhar há mesmo quem compre as coleções de roupa de inverno iguais às europeias que vendem agora nas lojas como a H&M e Zara. Gorros, luvas, casacos com lã polar, camisolas de caxemira... Viva o Inverno omanita!

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O Outono é como o Verão

Maio em Omã
Já vos tinha falado do clima e de como é quente. O Verão cá não tem comparação, como um dia de Agosto no Alentejo em que a humidade está muito alta, multiplicado por 120 dias... com o bónus de não ficar melhor à noite. Há com certeza saunas mais frescas do que o Verão arábico. Um relato comum de quem vive cá há umas décadas é o hábito dos locais - e suponho que dos expatriados - durante o Verão, dormir nos terraços (algo semelhante às açoteias algarvias) com o mínimo de roupa que os costumes permitem e de hora em hora ir encharcar o lençol em água e tentar voltar a dormir. Viva a tecnologia do freon.
A partir de Setembro e, com sorte, no final de Agosto a humidade começa a baixar. Durante o Verão estamos normalmente nos 70-80%. As temperaturas por vezes até ficam mais altas, passam dos 30-35ºC para dias em que chegam perto dos 40ºC mas sem o bafo quente e húmido de abrir o forno ou, numa analogia que acho mais apropriada, ficar a apanhar o bafo de uma turbina de avião. Assim, mesmo nos dias quentes, à sombra e com uma brisa fica suportável e perto da água passam-se serões bem agradáveis. E as noites são amenas. Devo dizer que é um alívio. Respira-se bem. Pode-se começar a desligar o ar condicionado durante a noite - as casas são mal isoladas de modo que a climatização é essencial. Para um português sabe a Verão. E sabe bem.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Ramadão: primeiros sintomas

O Ramadão é o nono mês do calendário muçulmano. Como é um calendário lunar começou na última lua nova, dia 10 de Julho - na verdade começou quando se observou claramente no céu, a lua nova astronómica foi dia 9. Dura este ciclo lunar e para quem segue a religião de Maomé dura e custa muito todos os dias. Estamos no meio do Verão e na península Arábica isso significa longas horas de sol, calor, humidade alta e uma noite só muito ligeiramente mais fresca. Tudo isto sem água nem alimento.
Sendo considerado um dos cinco pilares do Islão, espera-se que todos os muçulmanos jejuem e sigam as restrições vigentes. Em Mascate, para um ocidental que não segue a religião local há também regras. Não tem de jejuar nem ter todas as outras restrições, mas não pode ser visto a fazer nada do que os muçulmanos não podem fazer neste mês. Embora haja salas nas empresas para os infiéis reporem os níveis de açúcar e cafeína, a verdade é que não dá jeito nenhum lá ir sempre que se precise de beber água ou comer. Assim sendo muitos acabam por comer ao almoço em casa ou noutro sítio escondido e voltar ao pecado só depois de voltar do trabalho.
Outra diferença é que por razões de segurança - e acreditem que são sérias - o sector público e muitas empresas definem um horário para os fiéis que acaba às 13h. São repetidos exaustivamente os apelos à condução segura e para que não o façam se sentirem cansados, irritados, com fraqueza ou outros sintomas... ora isso é quase inevitável durante este mês visto que para além do calor durante o dia, não comem nem bebem, os que fumam não fumam e a noite é passada quase na totalidade em rezas e refeições. Sem surpresa a sinistralidade rodoviária triplica durante este período (durante o resto do ano é a mais alta do mundo - dos países que contabilizam, claro). As horas que antecedem o Iftar, a quebra do jejum, são as piores, já presenciámos situações muito próximas de acidentes, ou melhor incidentes, porque eram manobras loucas de condutores fora de si.
É suposto ser o mês da introspeção, caridade e adoração, mas para quem não é crente a visão é bem diferente.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Energia solar e... tomates

O sol é muito, constante e impiedoso para quem tem o infortúnio de ter de trabalhar debaixo dele durante o Verão. A Arabia Felix (mal traduzida para Arábia feliz, na verdade é Arábia fértil) não fica aqui, é mais a Sul onde a Monção permite o verde. Corresponde ao actual Iémen e Dhofar omanita. Apesar de estarmos não muito longe do equador, o Verão tem mais horas de luz do que o Inverno - uma ou duas - o que não ajuda. Quando o céu não é azul significa que a névoa que encobre o Sol é a humidade que se aproxima dos 80%... trópico de câncer no seu esplendor. E a noite, por causa dessa humidade, só não tem o Sol porque a temperatura não varia
Com todo este Sol pensaría que a energia solar seria uma fonte bem aproveitada. E é, mas involuntariamente. Quase todas as casas têm um tanque de água no telhado de onde vem a água para as torneiras. Nos dias de calor sabe bem refrescar as mãos e cara com água fresca. Mas não em Omã... a água "fria" é quente, não morna, quente, o suficiente para tomar banho sem ligar a água "quente". O truque é desligar os cilindros de água quente e aproveitar a água fria que deles sai ligando a água "quente".
Ponto de partida
Aproveitamento mais tecnológico da energia solar é ainda pouco, mas com honrosas excepções. Há o ocasional painel de solar térmico em habitações - imagino que seja útil no Inverno - alguns bairros com iluminação pública autónoma, ou seja, cada candeeiro tem um painel solar associado para além de outros esporádicos exemplos. Provavelmente o melhor exemplo de utilização de energia solar é o projecto de Amal West. Um campo petrolífero no Sul do País relativamente grande mas com óleo pesado, difícil de extrair. Uma das formas de tornar o óleo mais móvel é aquece-lo ou misturá-lo com algo que o faça mais fluido. Uma solução frequente é ter uma pequena central térmica que queima gás ou outro combustível fornecendo a energia, geralmente sob a forma de vapor de água, injectada para o reservatório permitindo a produção do óleo. Naturalmente não é uma forma muito eficiente nem amiga do ambiente de o fazer. Recentemente foi testada com sucesso uma técnica de produção de vapor de água para injeção em reservatório usando como fonte de energia o Sol. Um conjunto de painéis solares à superfície concentram energia sob a forma de calor em tubagens, vaporizando a água que é injectada em profundidade, transmitindo o calor à rocha reservatório e ao óleo. Os resultados foram muito bons e o projecto está em fase de aplicação a escala real. Podem ler mais sobre isto aqui e aqui.
Ponto de chegada
Voltando ao aproveitamento da energia solar com aplicações mais básicas e desta vez voluntárias, eis que entram os tomates. Aproveitando o calor intenso, Sol e algum vento resolvi secar vegetais. Tomates são o mais comum e podemos vê-los no supermercado. São, contudo, geralmente caros e ao que parece frequentemente secos com produtos químicos, de forma semelhante a muitos enchidos que são fumados com "fumo líquido"... nem quero imaginar a surrapa que isso significa. Pelos menos nos Estados Unidos as empresas que os comercializam podem chamá-los tomates secos ao Sol, mesmo quando não são... Espero que na Europa seja mais controlado. A receita artesanal é simples e suponho que facilmente aplicável em Portugal nos meses de Verão. Omã produz muito tomate e é geralmente muito bom. No meu caso foi aproveitar os 5 ou mais kilogramas da palete que comprei a um vendedor de estrada à porta da empresa. Num tabuleiro - eu usei o preto do fogão - cortar tomates bem maduros às metades. Se forem muito grandes podem ser aos quartos. Vi receitas que diziam para tirar as sementes e polpa, mas não o fiz e não parece ter nenhuma influência na qualidade final. Colocar algumas pedras de sal grosso sobre a superfície cortada do tomate. Por umas gotas de vinagre em casa um. Afasta insectos e realça o sabor. Mantendo a superfície cortada para cima, por os tomates ao sol. Tapar o tabuleiro com uma rede fina ou pano translúcido para evitar insectos e poeiras, garantindo que não toca nos tomates.
No nosso terraço demorou 3 dias a ficarem no ponto: secos, com cheiro intenso característico dos tomates secos, mas ainda maleáveis. Deixar demasiado tempo faz com que fiquem quebradiços, uma casquinha de tomate. Com dois tabuleiros ficámos com tomate seco fantástico para o resto do ano. Beringela é o vegetal que se segue.

domingo, 2 de junho de 2013

Mais a Sul em Sur

Sur
Com 3 dias de fim de semana para aproveitar e tentando ignorar as temperaturas que teimavam não descer dos 40°C fomos explorar a zona de Sur. Desde há muito um porto importante, inclusive com construção naval, que perdura até hoje, foi também ocupado pelos portugueses quando cá estiveram. A enorme baía de Sur que por pouco não é uma laguna, forma um abrigo natural e naturalmente um porto e local de ocupação humana. Esquecendo algumas construções claramente fora de formato, souberam manter o casario baixo e integrado na arquitectura local. 
Outra vista da baía de Sur
Pelo que percebi as duas margens separam duas tribos, uma historicamente ligada ao comércio - até há não muito tempo de escravos - e a outra dedicada à construção naval, essencialmente os dowhs, embarcações tradicionais em Omã com capacidade de navegação em alto mar. As caravelas cá do sítio. Não estranhamente a margem Sul, ligada ao comércio, tem os edifícios maiores e mais elaborados.
Parte da viagem foi para ver uma das maiores atracções turísticas da zona: tartarugas marinhas que desovam aqui todo o ano. Ao longo dos muitos kilometros de praia - a grande maioria desocupada - com areia quente o ano todo, várias espécies de tartarugas marinhas, todas as que existem no Índico segundo percebi, passam por aqui para desovar.
Golfinhos ao largo de Ras al Had
O pico é durante Novembro quando também se vêem as pequenas a emergir dos ovos. Nós só vimos duas a desovar e voltar para o mar. Tudo durante a noite e de forma muito controlada. É um parque natural com acesso restrito (sem fotos...) e pelo que vi a protecção funciona mesmo. Uma boa combinação de turismo da natureza e conservação.
Também na mesma zona há viagens de barco para ver golfinhos e outra bicharada marinha. Menos profissional mas ainda assim respeitador, não abalroamos nenhum cetáceo. E com fotos! Na volta deu ainda tempo para ver um dos dois wadis com água o ano todo desta zona (deveriam ser oueds?). Wadi Tiwi, um sítio a voltar.
Wadi Tiwi

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Abril águas Mil


Escrevo com um atraso de um mês.Tentei lembrar-me de um provérbio que rimasse com tempestade tropical, mas não encontrei nenhum. Quando as temperaturas pareciam continuar a subir lenta mas seguramente para cima dos 40ºC, eis que vem a chuva. E quando veio, veio forte. Em Mascate choveram cerca de 5mm em poucos dias (o que é suficiente para inundar muitos sítios), mas nas montanhas foram mais de 50mm, algo como 1/3 do total anual… Há feridos e mortos a registar levados pelas torrentes de lama de destroços. Foram logo menos 10ºC e vento fresco. No início muito bem vindos, mas depois a realidade da infraestrutura Omanita veio ao de cima. Assim como os Portugueses acreditam piamente que não faz frio em Portugal e por isso não isolam as casas, os Omanitas acreditam profeticamente que não chove em Omã. Assim sendo não é preciso ter sarjetas nas ruas, não é preciso que as ruas tenham um declive para a água escoar para a sarjeta ou ribeiro mais próximo e evidentemente não é preciso tapar buracos no telhado ou isolar janelas para não entrar água. Assim, para além das muitas poças na rua – um eufemismo para lagoas em todos os baixios da cidade - havia poças dentro de casa… um problema ainda não totalmente resolvido mais de um mês depois. 
Dois dos concorrentes
Interessante foi ver os locais num concurso involuntário de mister dishdasha molhada e miss abaya molhada. Tenho a dizer que continuam muito pouco reveladores.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Monção



Se procurarem Monção na net ou no supermercado vão ver que se produz vinho verde de elevada qualidade, mesmo sobre o rio Minho. Infelizmente isso são coisas que não há por cá de modo que vou ter mesmo de falar do tempo. Para não ser só para encher chouriços (isto deve ser a saudade dos produtos que não há cá), um pouco de pseudo-ciência, um geólogo a falar de meteorologia.
Tinha escrito sobre o bafo quente que tinha substituído a aragem fresca. Nos trópicos as coisas funcionam de forma diferente e não percebi o que vinha aí. Era a chegada da monção de inverno, que por vezes vai um pouco mais a Norte e apanha Mascate. Torna o tempo mais húmido antes de vir a carga de água. Ontem começou a ficar vento e nublado e passou a noite toda a chover à grande, com ventania fortissima. Continuava hoje de manhã e só agora começou a amainar. No dia seguinte tapumes derrubados, algumas casas sem eletricidade e umas árvores caídas. Com o sol e vento, passadas umas horas já estava tudo seco, excepto as poças nas zonas baixas, porque claro que as sarjetas não funcionam, ninguém espera chuva – já vi isto num país qualquer…
Foi de curta dura e de resto tanto a monção de inverno como a de verão passam geralmente mais a Sul, apanhando o Iémen e Sul de Omã

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Adeus fresco, olá bafo quente



Desde que cheguei que tenho estado muito contente com o tempo. Durante o dia estão 20 e poucos graus, corre uma brisa fresca e, pasmem-se, tive por várias vezes de usar uma camisola ao fim da tarde para não ter frio. Os locais diziam que estava um gelo! Sabia especialmente bem quando ouvia notícias de tempestades, gente ranhosa e muito frio em Portugal… desculpem lá, terão a vossa vingança daqui a uns meses.
Nos últimos dias o sol tem estado forte e este fim-de-semana subiu a humidade. Aí é que a porca torce o rabo, ou neste caso (não resisto a estas piadas fáceis), o borrego enrola a cauda, porque se sente bem a diferença. As previsões anglo-saxónicas mostram normalmente a temperatura e também o “fells like” que normalmente são mais uns quantos graus, por causa da humidade. Na Irlanda eram uns quantos graus a menos e sentia-se nos ossos

De modo que o fresco deu lugar ao bafo, o suar constante. Trópico. Sabia ao que vinha. E a certeza de que não vai melhorar até ao próximo Setembro. Felizmente há ar condicionado em tudo o que é espaço fechado. De forma análoga à República Checa onde durante vários meses não se podia fazer nada lá for por causa do frio, aqui não se pode fazer nada lá fora durante uns meses porque se derrete. E se estão a pensar no fresquinho da noite, por enquanto ainda há e sabe muito bem, mas não durará muito.
Mais sobre isto daqui a uns meses quando estiver a estrelar ovos na pedra da calçada.