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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Abril águas Mil


Escrevo com um atraso de um mês.Tentei lembrar-me de um provérbio que rimasse com tempestade tropical, mas não encontrei nenhum. Quando as temperaturas pareciam continuar a subir lenta mas seguramente para cima dos 40ºC, eis que vem a chuva. E quando veio, veio forte. Em Mascate choveram cerca de 5mm em poucos dias (o que é suficiente para inundar muitos sítios), mas nas montanhas foram mais de 50mm, algo como 1/3 do total anual… Há feridos e mortos a registar levados pelas torrentes de lama de destroços. Foram logo menos 10ºC e vento fresco. No início muito bem vindos, mas depois a realidade da infraestrutura Omanita veio ao de cima. Assim como os Portugueses acreditam piamente que não faz frio em Portugal e por isso não isolam as casas, os Omanitas acreditam profeticamente que não chove em Omã. Assim sendo não é preciso ter sarjetas nas ruas, não é preciso que as ruas tenham um declive para a água escoar para a sarjeta ou ribeiro mais próximo e evidentemente não é preciso tapar buracos no telhado ou isolar janelas para não entrar água. Assim, para além das muitas poças na rua – um eufemismo para lagoas em todos os baixios da cidade - havia poças dentro de casa… um problema ainda não totalmente resolvido mais de um mês depois. 
Dois dos concorrentes
Interessante foi ver os locais num concurso involuntário de mister dishdasha molhada e miss abaya molhada. Tenho a dizer que continuam muito pouco reveladores.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A feira



Este “velhote” esteve meia
hora a saltar numa luta de
espada encenada
Durante um mês por ano decorre o Muscat Festival. Este ano foi separado em duas zonas, ambas fora de Mascate, o que não dá muito jeito para ir ao fim da tarde, mas ainda assim esteve sempre cheio de gente. Foi interessante ver o conceito porque tem tudo o que se pode esperar encontrar num festival de artes (mais virado para as famílias) embora sem álcool nem drogas claro. Mas também tudo o que se pode esperar encontrar numa feira de produtos regionais, um pouco de feira popular e ainda uma pitada de stand de automóveis. Vou propor aos organizadores chamar-se FAECO - Feira das Actividades Económicas e Culturais de Omã. Ao estilo da quase homónima que se realiza em S. Teotónio para o concelho de Odemira. Nem faltavam os churros, ou algo similar. Havia também o mobiliário feito com palmas, desde a caixinha para o faqueiro até ao roupeiro, alguma bijutaria, as chibatas para os camelos, os kanjars, dishdashas e outra indumentaria.
Mini churros
Como ainda não me aventurei para muito longe de Mascate ainda não vi muito. No festival o que se podia ver do resto do país, para além de várias versões de crepes com ovo, natas azedas e mel – bem bom posso atestar – e outras iguarias culinárias era a diversidade genética deste povo. Em Mascate há alguma diversidade, mas uma pequena amostra pelos vistos. Pessoas com cara de etíopes puros, outros africanos que imagino tenham origem na zona de Zanzibar que foi omanita até à pouco tempo, para além do pessoal com caras árabes (embora já não tenha bem a certeza do que isso significa), paquistanesas (Omã também controlava parte desse território) e claro, toda a mescla destes povos. 
Não há homem da cerveja, há homem do chá
Até aos anos 50 havia escravos africanos, embora já integrados na sociedade e rapidamente absorvidos quando a escravatura foi abolida. Importa dizer que o conceito de escravidão não era o mesmo que temos da altura das nossas descobertas. Pelo que sei eram principalmente soldados. Também na absorção de outras culturas e etnias somos semelhantes aos Omanitas, embora o tenhamos feito ao longo de mais séculos e não tenhamos mantido a escravatura tanto tempo.

Os reis da chanata



O código de vestuário na empresa é camisa de manga curta ou longa, calças que não de ganga e sapato fechado. Para os expatriados. Os locais, orgulhosos da sua tradição vestem-se com a dishdasha e no pé, supostamente também uma tradição, a bela da chanata. As mulheres expatriadas têm mais liberdade e a chanata é-lhes permitida. Ora, para um país em que as temperaturas mínimas no inverno não baixam muitas vezes dos 15ºC – à noite claro – a chanata faz todo o sentido. Infelizmente não posso invocar a tradição do meu país, não me lembro dos campinos ou as minhotas com os seus oiros usarem chanata. Só os pescadores do Guincho, mas acho que não se qualifica como traje tradicional. Ainda pensei usar mais um paleio proto-colonialista, neste caso tanga proto-colonialista de terem sido os portugueses a introduzir a chanata no país, no longínquo século XVI. Al-Chanata como se dizia na altura. Seria como dizer que foi a dinastia Filipina que introduziu o bacalhau salgado em Portugal. Para mim, adepto da chanata, com meia de preferência (aliás tema do meu primeiro blogue, feito em conjunto com outra pessoa que era contra mas desistiu por não ter argumentos), é chato. Em casa e durante o fim-de-semana não há sapatos, mas depois há 5 dias inteiros de pés a cozer…