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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

As Sawadi

O "concheiro" de As Sawadi
Aproveitando o fim do Ramadão e as férias a que, obviamente, se tem direito porque é o fim do Ramadão seguimos para um local perto de Mascate mas longe o suficiente para saborear o tempo livre. A costa de Batina que se estende desde Mascate até à fronteira com os Emirados é uma zona aplanada entre as montanhas Hajar no interior e o Oceano Índico. É e foi historicamente uma zona densamente povoada (para padrões de países desérticos como este) visto que as chuvas, mais abundantes nas montanhas, alimentam durante todo o ano os aquíferos de toda esta planície. Foi também uma zona controlada pelos Portugueses durante o período de ocupação. Na verdade só as praças fortes como a de Barka (Borka nos mapas Portugueses da época). Ainda hoje há um forte, atualmente reconstruído mas ocupado pelos portugueses durante o tempo que cá estiveram.
Outra fortificação, mas que suponho bem mais recente, está na ilha de Sawadi. A linha de costa de Batina é incrivelmente reta, mas tem um pequeno cabo formado pela influência de uma ilha - suponho que por erosão diferencial que deixa umas ilhas ao largo da costa - a apenas umas centenas de metros do continente. 
Vista da praia para Este, com a ilha Sawadi ao fundo
Os ventos predominantes de Este e respetiva ondulação fazem com que a praia a Este do cabo fique protegida e com um extenso areal. A essa areia juntam-se as incontáveis conchas e corais que proveem dos recifes que circundam as tais ilhas da zona. Há zonas da praia em que a praia são conchas e corais. 
Esta é a explicação geológica da beleza da zona. Uma praia infindável cheia de conchas que a nós nos parecem exóticas, ilhas ao largo, águas calmas e quentes e vida marinha por todo o lado. Para um geólogo, mesmo a vida marinha morta na praia - leia-se as conchas - é interessante. Não tivemos oportunidade de explorar mas o hotel contiguo é também um centro de mergulho e snorkeling. Aparentemente um dos melhores de Omã. 
Vista semelhante na maré baixa com muita bicheza nas poças
Já era bom mas ficou melhor visto que a temperatura e humidade estiveram sempre baixas (i.e. ligeiramente abaixo dos 30ºC) devido a um "pedaço" da monção que nesta zona só deu vento mas nas montanhas deu chuva e inundações. Foi de curta dura, na semana seguinte voltámos aos 35ºC que com humidade se sente como mais de 40ºC...


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Al Bustan, Qantab e Yitii



Praia de Yitii
Já liberto de algumas obrigações burocráticas vou explorando o Sultanado por áreas cada vez mais longe de Mascate. Desta vez para Este e Sudoeste, ao longo da costa. Aqui se nota que o país ainda não está virado para o turismo. Boas estradas para maior parte dos sítios, mas não necessariamente para o que aparecem nos guias. E ainda bem. Já vos falarei da paisagem mas a primeira diferença que noto são as pessoas. Em Mascate e para Oeste, até à zona do aeroporto, todos os omanitas fazem questão de vestir a sua dishdasha e o equivalente feminino, mostrando os seus carros, telemóveis e tudo o que houver para mostrar. Muita construção nova, por vezes pouco respeitadora do já estava construído. Urbanidade e modernidade com tudo o que isso tem de bom e de mau. 
Beach bitches. Cabras em Qantab.
Ao chegar a Al Bustan (pequena vila piscatória e complexo turístico) já se nota que nem toda a gente se veste a rigor. É fim de semana e uma t-shirt e calções bastam. Pescadores, agricultores, famílias com vidas mais modestas (embora não tenha visto pobreza). Cabras passeiam pelas ruas e até uns dromedários (aqui não há camelos, só na Ásia central!). Chegando a Qantab e mais além a Yitii, a modernidade não parece ter chegado aqui, com exceção da estrada alcatroada. Ainda bem que existe porque antes dela o acesso deveria ser só por mar ou através dos wadis e algumas zonas mais baixas no meio das montanhas. E devia ser a burro.
Algumas habitações grandes, mas de resto são casas tradicionais e as populações parecem ainda viver desse modo. Muita comida a ser levada de umas casas para outras, uma comunhão de aldeia que sabe bem observar e espero um dia vivenciar.
Cabrazinha, olha aqui o caldeirão, anda cá...
 Sobre a paisagem vou pela primeira vez usar uma palavra que espero não gastar, mas acho que a vou usar muitas vezes: é BRUTAL! As montanhas de ofiolitos com outras rochas pelo meio (estou a conter a descrição geológica), cada uma com a sua cor e padrão, rasgadas pelos wadis largos, com tamareiras e outras plantações até às praias de areia e calhaus. Infelizmente não houve muitos pontos onde conseguisse parar o carro em segurança para contemplar e fotografar. E apetecia parar de 100 em 100 metros.
Desculpem a qualidade das fotos, fiquei sem bateria, teve mesmo de ser com o telemóvel.
Vista de Al Bustan para SE